O grupo “Interpretar e Aprender” surgiu como ideia nos corredores da Universidade de São Paulo por três estudantes de História interessados em integrar diversão e aprendizagem. Apaixonados tanto por narrativas fantásticas quanto pelo ato de ensinar, estes amigos decidiram criar um grupo cujo intuito seria trabalhar, de forma prazerosa, os conteúdos escolares - e não haveria melhor maneira de fazê-lo do que utilizando o RPG, ou Role Playing Game.

Entenda o projeto Interpretar & Aprender

A escola contemporânea é o lugar privilegiado dos processos educacionais. Os métodos tradicionais de ensino - fundamentados na explanação expositiva de uma autoridade e no silencio atento dos aprendizes - parecem não dar conta das exigências criativas implicadas no aprendizado. Os alunos, bombardeados por informações a todo o momento, indicam pouca aplicação relacional dos conteúdos apresentados na escola em sua vida cotidiana. Um movimento contrário ao pretendido pela instituição Escola e por educadores envolvidos nesse processo.

A dificuldade na relação entre professores e alunos se dá por uma série de fatores, desde o dado geracional até a relação pedagógica estabelecida. Há ainda certo descompasso entre o exterior e o interior da escola. Diariamente, os alunos são expostos a toda sorte de informações e imagens de consumo instantâneo, enquanto o método de ensino exige uma atenção continuada que extrapola em duração e profundidade os estímulos com os quais eles relacionam-se fora da escola.

A busca pelo aprofundamento nos temas que interessam ao individuo, independente de sua idade, acaba por ser deixada de lado quando essa instituição torna-se uma ferramenta para o aprendiz alcançar conteúdos, decora-los e, a seguir esquecê-los. Parece razoável inferir que grande parte da preocupação de alunos e professores se destina à preparação das e para as provas e não na construção de valores a partir do conhecimento trabalhado.

Índice do engessamento dos métodos pedagógicos, a maneira como o conhecimento é tratado pelos alunos atualmente parece apontar para a falta de liberdade no aprendizado. Uma escola democrática se constrói não apenas em seu discurso, mas em todos os campos de sua atuação, da liberdade aos professores em construir suas aulas e sua avaliação à liberdade dos alunos de poderem relacionar conteúdos diversos e serem incitados a tanto. Podemos reconhecer, com certa facilidade, que o professor não se vê com liberdade de aplicação do lúdico para trabalhar conteúdos, muito menos de trabalhá-los de maneira interdisciplinar.

O projeto Interpretar e Aprender surge como uma alternativa viável dentro do panorama pedagógico que estamos discutindo para a ampliação desse espectro democrático.

De modo envolvente e divertido o Role Playing Game – jogo de interpretação de personagens - colabora com o aprendizado. Neste jogo, a imaginação é o tabuleiro e os personagens são as peças. O jogo acontece pela interação entre jogadores e narrador, em um sistema de estímulo-resposta dialético no qual os personagens e o cenário se constroem a partir dos conteúdos de interesse. Exatamente por tratar-se de um jogo o RPG possibilita a criação de cenários que respeitam algumas leis da física, química ou matemática, mas ignoram outras. O cenário, criado pelo narrador, pode e deve ser inspirado no mundo real, já os personagens são desenvolvidos sob sua orientação mas são de criação plena (salvo exceções) dos jogadores.

A aventura, no entanto, só pode acontecer em grupo, criando um laço tecido coletivamente ao longo da história ali contada. Neste contexto, “vencer” ou “perder” são conceitos inúteis. O foco sempre será o trabalho em grupo e a aplicação de conteúdos mais variados diante dos desafios propostos pelo narrador.

Em um sistema que trata o conhecimento como dissociado da vida do aluno, a única relação com esses conteúdos é o boletim. O RPG têm a potência de reintegrar conteúdos teóricos a vivências práticas, ao viver o personagem.

Assim, o projeto Interpretar&Aprender visa elaborar aventura didáticas que trabalhem os conteúdos indicados pelos professores. Apoiado em ferramentas narrativas apreendidas a partir de variadas fontes - literatura, metodologia científica, discussões filosóficas etc – construindo junto da equipe escolar um programa de integração de conteúdos e grupos.

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