O grupo “Interpretar e Aprender” surgiu como ideia nos corredores da Universidade de São Paulo por três estudantes de História interessados em integrar diversão e aprendizagem. Apaixonados tanto por narrativas fantásticas quanto pelo ato de ensinar, estes amigos decidiram criar um grupo cujo intuito seria trabalhar, de forma prazerosa, os conteúdos escolares - e não haveria melhor maneira de fazê-lo do que utilizando o RPG, ou Role Playing Game.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Semana de História - UFU



Ontem o Paulo e o Thiago participaram da Semana de História da Universidade Federal de Uberlândia, apresentando uma aventura sobre a I Guerra Mundial. O debate foi muito profícuo e agradável. 


O grupo de trabalhos era formado por nós, Jaqueline Peixoto Vieira da Silva e Rafael Rocha, nosso parceiro há algum tempo do Narrativas da Imaginação. Iniciamos falando sobre a constituição de nosso projeto e do grupo que estamos jogando há mais tempo. A aventura já havia sido contada de certa maneira aqui e ali, assim organizamos nossa fala expondo nosso desejo em desconstruir o fetiche da violência provocado pelas diversas mídias atuais no imaginário das crianças. 

O Rafael seguiu a discussão com um tema bastante profundo: a ludicidade. Chegando a conclusão que o jogo não é lúdico por si. Não basta ser jogo para ser lúdico pois há ludicidade em outros aspectos da experiência humana. O jogo educativo deve conter três aspectos inter-relacionados: o lúdico, o didático e o acadêmico. Quando um sobrepõe-se aos outros o jogo fica chato, desestruturado ou ineficaz para o aprendizado. Isso é facilmente verificado nos "joguinhos" digitais educativos que estamos acostumados a encontrar no mercado: é raro o jogo que equilibra esses três aspectos com sucesso.





A Jaqueline expôs com muita propriedade uma atividade para crianças do sexto ano entenderem “O que é História”. O currículo de grande parte dos colégios inicia-se justamente com essa pergunta no sexto ano. Esse tema é bastante abstrato, principalmente se tratando da idade em questão. A escolha da professora foi colocar em prática com os alunos o trabalho do historiador: ao contar a sua própria história e levantar e produzir fontes históricas o aluno se torna sujeito de sua história. Ao mesmo tempo, perceber-se como agente histórico é essencial, distanciando-se do imaginário de que a História é feita por heróis. Após contar sua história, a prática aproximou-se do RPG ao criar personagens de si mesmos no futuro. Essa última parte será descaradamente copiada pelo Thiago em suas aulas do Objetivo no próximo ano, já que a primeira parte da proposta ele também coloca em prática.

A discussão do grupo de trabalhos da UFU se pautou nas aproximações possíveis entre esta ferramenta, que é o RPG, e os conteúdos e práticas pedagógicas. Todos ali pareciam entender que a ortodoxia do método de ensino nas escolas encontrou seu limite. Os relatos externos ao Interpretar e Aprender elaboravam uma superação dos alunos ao sistema de ensino, que passa a ser entendido como acumulação de referenciais e não mais como ferramentas para o individuo se aproximar e explorar o mundo. Ora, se isso acontece em muitas universidades porque não haveria d acontecer em nossas escolas? As perspectivas discorridas neste encontro partiam do obvio, a violência é assumida como parte da vivencia, porém pensamos compor caminhos interessantes dentro desta proposta educativa. Porque o RPG, afinal, pareia realidade e ficção; nesse movimento os alunos desenvolvem comportamentos no cenário que podem ser reproduzidos na realidade. A imaginação torna-se assim um espaço seguro para testar comportamentos e sua reverberação social além de, quando orientado por um educador, estimula a percepção de que cada individuo é capaz de realizar mudanças em seu meio.

Os textos foram publicados em um livro especial! Clique aqui para acessar!

  

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Relato de aventura

No mês de Março, pelo segundo ano, o Grupo I&A realizou aventuras na festa de aniversário dos nossos mais fiéis jogadores. Esse ano contamos com a presença do Renan Viestel, professor de matemática e RPGista. Na verdade, o Renan faz parte da pré-história do I&A, já que, antes de fundarmos o grupo, o Thiago jogou pela primeira vez com alunos do colégio I.L. Peretz e dividiu o trabalho com o Renan. Ele fez a gentileza de descrever como foi a experiência!

Quem já observou uma criança brincando percebe que os jogos surgem com certa naturalidade dentro de seu repertório de atividades divertidas. Segundo Piaget, os jogos se apresentam de três maneiras na infância:
- jogo de exploração: onde a criança, normalmente de 0 a 2 anos, explora o mundo pegando, mordendo e abraçando tudo que está em seu alcance.
- jogo de interpretação: a criança interpreta situações do cotidiano, como brincar de escola, e corrige suas frustrações. Também existe a versão fantástica, na qual a criança é capaz de projetar seus desejos e inquietações extrapolando sua imaginação.
- jogo de regras: a criança tende a aceitar um conjunto de regras, criadas com sua participação ou não, e fazer com que esses combinados sejam a lei momentânea, se esforçando para que todos os envolvidos sigam essa lei.
O objetivo desse texto é relatar a experiência que vivi com o grupo "Interpretar e aprender", na qual buscamos fazer uso de um movimento natural do desenvolvimento da criança, o jogo de interpretação, para introduzir conceitos de disciplinas escolares. Desde o princípio, me animei com o convite do grupo para narrar uma aventura em uma festa de aniversário. Confesso que tive certo receio ao introduzir desafios matemáticos no decorrer da aventura, principalmente porque era um momento de puro lazer das crianças. Ao chegar no local da festa a atmosfera de empolgação era palpável, os meninos ouviam com atenção a descrição de cada um dos quatro cenários que havíamos planejado e as caras de surpresa se encontravam com nossos sorrisos de satisfação. Uma vez definidos os grupos e feitas as apresentações, avançamos para a fase de elaboração da ficha, onde naturalmente testaram os nossos limites propondo personagens cada vez mais fora da nossa realidade. Nesse momento a total falta de censura de nossa parte levou os meninos ao êxtase, tivemos um arqueiro empunhando uma besta atiradora de beterraba no grupo, um goblin ladrão de tumbas que era melhor amigo de um paladino da justiça e um mago bipolar.


fb.com/GameDesignerSincero


Mas e a matemática? Diante desse cenário maluco, na sala de estar de uma festa de aniversário, meus desafios pareciam fadados ao fracasso. Vocês não podem imaginar minha surpresa diante do empenho dos alunos ao buscarem a solução dos desafios. Não houve reclamação e nem cara feia, tudo que estava diante deles era o desafio de inteligência a ser superado para que entrassem na câmara da perdição ou na ponte dos desejos. A colaboração dos integrantes do grupo e a preocupação em levar em consideração todas as ideias me mostraram que aquilo que buscamos em sala de aula, a motivação necessária para apreciação, pode ser desenvolvida por meio da imaginação das crianças, contextualizando as histórias infantis e criando sentido para elementos criativos, que a princípio flertam com o absurdo.
Refletindo sobre a experiência do aprendizado por meio da interpretação pude tirar conclusões e aprender por meio de minha narração e observação. É inevitável que os paralelos com a sala de aula se formem em meus pensamentos enquanto trago o que de mais rico pude presenciar em uma atividade lúdica.
Não é raro que alunos “vistam a carapuça” de bom ou de mau aluno, fazendo cumprir uma profecia autorealizadora, onde seu rótulo define suas ações e aprendizados. O jogo de interpretação pode deslocar esse papel pré-definido pelo aluno e o trabalho em grupo destacar suas contribuições para superar um determinado desafio.
O RPG é um excelente instrumento para abordar conceitos porém, se comparado com uma aula convencional, podemos ter a impressão de um tempo mal aproveitado para o ensino de um determinado conteúdo. O engano de tal hipótese não está na relação “conteúdo ensinado/tempo”, mas sim em assumir que a assimilação dos tópicos abordados se faz no exato momento em que o aluno é exposto à fala do professor.
Trabalhar uma série de conceitos a partir de uma narração exige um certo tempo para realizar a ambientação dos alunos, além de contar com um planejamento que insira os conteúdos escolares de forma a manter o sentido da história e empolgar as crianças. Essas características do jogo de interpretação fazem com que a quantidade de conteúdos abordadas em uma partida seja menor do que em sala de aula, mas traz para os participantes uma riqueza de repertório que dificilmente se vê nos livros didáticos.
Para que fique claro o conceito de repertório, faremos um paralelo com o ato de jogar futebol na rua, onde não se estudam táticas e técnicas de chute e passe, mas a criança é exposta a conflitos e situações que mexem com seu emocional, além de empiricamente testar hipóteses sobre tudo que faz parte do esporte. Caso essa criança venha treinar em uma escola de futebol, a mesma associará aquele treinamento técnico à sua vivência e prática, ainda que agora em um nível diferente. Transportando a situação para o ensino de matemática, podemos colocar as explicações e exercícios como parte do treinamento, enquanto as atividades lúdicas cumprem o papel de primeiro acesso ao conteúdo.
Encerro este pequeno relato com um pensamento de Piaget que evidencia a importância de criarmos situações em que colocamos crianças como protagonistas do seu aprendizado.
“Tudo o que se ensina a uma criança, a criança não pode mais, ela mesma, descobrir ou inventar”

Renan Viestel é professor de matemática dos colégios Pentágono e Alef e mestre em Ensino da Matemática.






quarta-feira, 6 de maio de 2015

Saindo da caixa

Nessas últimas duas semanas nosso grupo experimentou aquela estranha sensação de estar dando tudo certo. Encontramos diversas pessoas que podem tornar-se nossos parceiros ou colaboradores. Uma dessas pessoas é Alex Bretas, idealizador da Educação Fora da Caixa:

"A Educação Fora da Caixa é uma investigação sobre formas inovadoras de aprendizagem com foco em jovens e adultos. A escola acabou por assumir a posição de espaço educativo privilegiado, mas acredito que a aprendizagem ocorre em consonância com a vida - basta ter olhos de ver. Neste sentido, acredito que o público escolar deve buscar ser mais permeável ao que ocorre tanto do lado de fora de seus muros quanto dentro de cada criança e adolescente (suas curiosidades, necessidades e desejos que anseiam ser escutados). O projeto, bem como o Kit Educação Fora da Caixa - uma caixa de ferramentas educacionais inovadoras disponibilizada online - são convites expressos a este permitir-se."


Empolgados, corremos para conversar com ele e mergulharmos em seu projeto. Transformamos nosso interesse em interlocução em uma divertida entrevista feita ao longo de uma semana. Esperamos que a leitura seja tão agradável quanto foi criar esta ponte entre o Grupo Interpretar e Aprender e a Educação Fora da Caixa:

Grupo Interpretar & Aprender: O que chamou seu interesse para métodos pedagógicos alternativos?

Alex Bretas: Em primeiro lugar, minha biografia, que conta com vários casos em que me senti tolhido na escola, na universidade e no trabalho. A motivação para de fato começar um projeto na área de educação veio quando me mudei para São Paulo, no final de 2013, e conheci mais a fundo as escolas democráticas. Aí então vi que existiam alternativas mais humanas.

GI&A: Você já jogou RPG? Se sim, como foi sua experiência?

AB: Nunca tive uma experiência de RPG de mesa, mas adorava (ainda gosto, mas não tenho mais tanto tempo) jogar RPGs de ação no computador. Diablo, por exemplo, eu joguei por inúmeras horas... Era um prazer, embora o fator vício fosse uma preocupação às vezes. Tenho vários amigos que jogam RPG frequentemente e gostam demais. Quem sabe não esteja na hora de experimentar?

GI&A: Quais as experiências mais significativas vivenciadas por você ao longo de sua pesquisa?

AB: Tenho tido muitas experiências marcantes... Difícil pinçar somente algumas. No início do projeto, fiz uma campanha de financiamento coletivo para viabilizar a publicação do livro com os resultados da pesquisa. A experiência de fazer um pedido claro à sua rede por recursos financeiros foi algo muito significativo, especialmente numa cultura como a nossa em que dinheiro é tabu. A era da colaboração já está aí para que repensemos essas crenças. Quando fiz o primeiro Círculo de Doutorandos Informais, um workshop de um dia sobre aprendizagem livre, também me senti extremamente recompensado. Em termos de pesquisa, que foi o que você perguntou, comecei a estudar um filósofo austríaco, Paul Feyerabend, e escrevi uma carta a ele. Infelizmente não havia como receber uma resposta porque ele morreu há muitos anos. De todo jeito, o ato de escrever me dirigindo a ele foi muito forte porque a obra dele me impactou demais.

GI&A: Como funciona o processo do Círculo de Doutorandos Informais (CDI)?


AB: O CDI é um provocador de autonomia, um abre-alas de curiosidades. É um encontro de um dia inteiro em que as pessoas são convidadas a criar seus próprios processos de aprendizagem independente e em colaboração com os outros. Para mais informações, vejam estes dois textos sobre alguns CDIs que já aconteceram: CDI SP, CDI BH.


Alex (em pé) durante um CDI em Belo Horizonte

GI&A: Para você, qual o papel da criatividade no processo educativo? Dentre as ferramentas educacionais que você pesquisou, qual delas você consideraria como a mais criativa?

AB: A criatividade é a própria aprendizagem parindo! Não vejo possibilidade de uma estar dissociada da outra. Ensino, sim, pode estar separado da criatividade, aprender não, porque a aprendizagem parte da potência interna de cada um de nós. Acho que o que há de mais criativo é engajar crianças, jovens e adultos num processo de criar suas próprias ferramentas. Jogos, brincadeiras, métodos, técnicas, instrumentos, jeitos de fazer. Para citar uma, gosto muito do MDI - Maneiras Diferentes e Inovadoras - que o Tião Rocha criou no CPCD. Vai justamente neste sentido de estimular a criação...

GI&A: Há, em sua pesquisa, alguma ferramenta que utilize jogos de interpretação na educação?

AB: Como minha investigação é sobre aprendizagem num sentido amplo, não somente o que se dá em espaços formais de ensino, existem algumas ferramentas sim. O Teatro Social da Presença, um dos instrumentos da Teoria U de Otto Scharmer, é uma delas. O Teatro do Oprimido também é muito interessante, inclusive já atuei em algumas esquetes. Acredito que o recurso da interpretação é um aliado poderosíssimo da aprendizagem, mas para que essa parceria ocorra é necessário que a ferramenta não seja imposta ao educando. É preciso que surja dele ou que seja um convite para uma degustação. Isso, inclusive, é o que pra mim diferencia o aprender do ensinar. O ensino muitas vezes não convida nem escuta.

GI&A: Como a experiência de processos não impositivos funcionaria em uma escola tradicional em que basicamente tudo é imposto?

AB: Funcionaria em pequena escala, num primeiro momento. Quase tudo começa pequeno, e é bom que seja assim. Se numa escola um professor ousado consegue reunir mais dois que topam experimentar novos caminhos, isso já é o início de uma revolução. As ferramentas podem ser úteis como faíscas de um novo jeito de fazer. A partir daí, a comunidade escolar vai percebendo o valor das inovações e devagarzinho os processos se ampliam. Não é fácil, mas é possível.

GI&A: Qual a maior dificuldade encontrada pelos professores interessados em aplicar estas ferramentas nas instituições escolares ou em seus próprios processos educativos?

AB: A dificuldade é sistêmica. Ocorre pelo tipo de relação que se dá na maioria dos espaços institucionalizados, profundamente hierárquica. O professor ter uma boa ideia de uma nova ação pedagógica é interessante, porque mesmo isso atualmente é complicado por conta de sua rotina massacrante e das amarras institucionais - que se revelam tanto em escolas e universidades públicas quanto privadas. Mas, às crianças e jovens é preciso darmos voz de verdade, não só no nosso discurso. De que adianta ensinar a história da democracia sem perguntar se o aluno quer aprender democracia? É incoerente. Quais as ferramentas que surgem de quem aprende? Quais os interesses? Não se fazer essas perguntas acaba gerando o principal problema percebido pelos profissionais de educação atualmente: a falta de interesse e a desmotivação dos alunos.

GI&A: Como as ferramentas pesquisadas relacionam-se com as tradições pedagógicas brasileiras? Você as considera como rupturas na educação atual?

Várias ferramentas que tenho pesquisado, inclusive as relacionadas à interpretação, podem ser consideradas inovadoras frente ao que vem sendo feito tradicionalmente nas escolas. E isso não é algo restrito ao Brasil, visto que o modelo de educação fabril, impositivo e linear é uma praga global. Ainda assim, acredito que a principal ruptura que já está ocorrendo no campo da educação é a devolução aos educandos do direito de escolher. Escolher o que e como querem aprender, num processo facilitado pelo professor. É uma ruptura no nível de visão de mundo, bastante profunda, mas que não pode ser imposta, porque senão sofreria do mesmo mal do sistema atual. Todas as ferramentas que apostam nos desejos e necessidades dos educandos e no seu direito de manifestá-las são disruptivas, ao meu ver.

GI&A: Que materiais de referência você recomenda para quem busca implementar métodos pedagógicos diversificados?

AB: Queria indicar o Kit da Educação Fora da Caixa que estou montando. Toda semana escrevo sobre três ferramentas educacionais que considero inovadoras. Outra indicação é o site do Reevo, uma comunidade latino-americana sobre educação alternativa. Por fim, o livro que me inspirou a fundar o projeto é uma leitura excelente para quem deseja inaugurar novos caminhos na educação: chama-se Volta ao Mundo em 13 Escolas e está disponível para download na íntegra.


GI&A: O termo “ferramentas” dá um tom utilitário à educação ou aos educandos? Seu projeto vem para consertar algo que está quebrado?

AB: Interessante a pergunta! Não vejo a utilização da palavra "ferramenta" num sentido de oficina, de consertar algo não... Vejo no sentido de ser um instrumento que pode ser útil para se chegar a um lugar que, sem ele, seria muito mais difícil de alcançar. Um lugar de cooperação, de autonomia, de protagonismo e de sabedoria. Não acho que a educação deva ser utilitária, muito menos os educandos, mas acredito sim que uma ferramenta, tal como a estou entendendo, pode ser um portal que amplia nossa visão a respeito da aprendizagem por meio da ação. E o que eu mais gostaria escrevendo sobre as ferramentas é que as pessoas cocriassem a partir delas, experimentassem para além delas o que servir melhor a cada contexto, a cada realidade.

Agradecemos imensamente ao Alex pela simpatia e pela entrevista, e desejamos muito sucesso em seus projetos.


Alex Bretas é administrador público e especialista em pedagogia da cooperação e metodologias colaborativas

sexta-feira, 13 de março de 2015

Aventureiros nas Terras Conhecidas (Ou: porque o RPG é sensacional - Parte 34.235.425)

Uma das coisas mais legais dos jogos de RPG (dentre as tantas outras que nós não cansamos de enumerar por aqui!) está na possibilidade de mudar o mundo de verdade.

Ontem, mestrando uma partida para o Paulo e mais três amigos, terminei de narrar uma campanha divertidíssima que começara há mais ou menos três meses. Esta campanha tratou de alguns temas sérios, mas foi marcada pela insanidade e comicidade do grupo, um goblin de múltipla personalidade, um arqueiro viajante e um bruxo citadino, bem como de diversas situações pelas quais passaram. Durante o percurso, alguns jogadores fizeram participações especiais e se uniram ao grupo, como foi o caso ontem, quando foram ajudados por um pirata orc fissurado em gravatas.

Amarelo, personalidades múltiplas e cruel? Confere!
Foi a primeira campanha completa e relativamente longa (foram várias sessões de jogo nestes últimos meses) que ocorreu no cenário que eu venho criando e usando o Danquesystem que eu havia criado. Já havíamos jogado juntos algumas aventuras isoladas neste mesmo universo, mas nunca uma aventura completa. Os personagens começaram como iniciantes e, depois de uma série de eventos ao longo de meses, viram-se em meio a intrigas que foram envolvendo anões, deuses, goblins, orcs e elfos e que culminou em uma verdadeira batalha pela liberdade!

Ao longo de tudo o que foram fazendo, os personagens tocaram a vida de diversos NPCs (aqueles personagens controlados pelo Mestre, lembra?), influenciaram no futuro de sociedades inteiras, resolveram alguns conflitos, catalizaram outros, aprenderam inúmeras coisas (que não se deve invocar dragonetes ferais sem tomar medidas de precaução ou que se deve ser cauteloso ao tratar com deuses, por exemplo) e me deram diversas dicas para aperfeiçoar o sistema de jogo. Eles ajudaram os orcs de uma cidade-Estado a se libertar dos elfos que os dominavam há séculos e, com isso, de fato mudaram o mundo!

O arqueiro em questão viajava lentamente por uma opção exótica de vestimenta...
Em honra ao que foi feito, vou alterar o mapa-mundi do jogo e, a partir das próximas aventuras neste cenário, as notícias correrão sobre os feitos do grupo de aventureiros. Elfos temerão e os odiarão, enquanto indivíduos verdes por todas as terras conhecidas os saudarão! NPCs com quem eles fizeram contato retornarão em aventuras futuras e certamente demonstrarão o quanto foram afetados pelos eventos do jogo! Eles não apenas viram as coisas acontecer ao redor deles ou apenas seguiram uma trilha pré-determinada diante deles: eles decidiram os rumos dos acontecimentos!

Em que jogos de cartas ou tabuleiros tradicionais isto seria possível? Baldur's Gate, Witcher, Elder Scrolls, Dragon Age, Mass Effect: todos estes jogos de RPG de videogame, para ficarmos entre os mais célebres, são aclamados, entre outras coisas, por conta de como lidam com as consequências das ações dos personagens, mas nem mesmo os brilhantes programadores e roteiristas por eles responsáveis poderiam prever ou mesmo computar todas as possibilidades que poderiam ocorrer nas situações de um RPG de mesa. Esta sensação, não só de poder, mas de importar, de fazer parte da história como agente e não apenas como um mero observador, é fantástica! 

Acreditem ou não, está uma das fotos menos estranhas que aparecem no Google quando você procura por 'male witch'.
Não há no mundo um jogo que dê mais importância a você e às suas decisões - quer sob a pele de um personagem, quer no papel de mestre - do que o RPG. Fica aqui a minha declaração de amor a este jogo e um convite a todos aqueles que ainda não experimentaram jogá-lo: façam-no. É divertido demais!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Sejamos realistas, vamos fazer o impossível!


Quando a semana começou, comecei a preparar uma aventura para jogar com meus amigos. Minha intenção era criar um ambiente contemporâneo, um mundo como o nosso, porém um pouco mais opressor. A ideia era adaptar o cenário do livro Mago, a ascensão  para um momento intermediário entre o futuro distópico proposto por seus autores e os nossos dias. Comecei a esboçar algumas ideias de cenário e, de repente, terminei com este texto em mãos:

"(...) Tudo começa com uma necessidade, depois vem um plano e o tempo de realização. Foi assim que construíram o mundo em que nascemos. Tudo já estava construído quando eu cheguei, prédios que alcançavam os céus, naves espaciais, aviões, carros. Para ser sincero, tenho a impressão de que até a internet já existia, apenas não era como a conhecemos hoje - com acesso """universal""" e cheia de pornografia.

Quando eu nasci, o capitalismo já existia. Essa proposta síntese para a análise das coisas que é o Capitalismo. Alguns te dirão que "ele" é um sistema econômico, eu discordo. O Capitalismo está além das ideologias no presente e, portanto, não pode ser um sistema econômico simplesmente. Talvez até a virada do século XXI ele ainda fosse, mas não mais. Penso que ainda existia um esforço intelectual para separar as coisas, mas, hoje, ele parece vão.

Estudar a história humana me fez perceber que toda narrativa é ficcional. Mesmo a baseada em fatos reais. Você pode perguntar a qualquer cineasta que já trabalhou com o gênero Documentário que ele confirmará. O instituto Itaú Cultural costuma fazer anualmente o ciclo de cinema É tudo verdade em que os conceitos de realidade e representação da realidade são trabalhados através dos vídeos selecionados.

Realidade e representação da realidade. Conceitos que precisam ser descritos, explicitados. A sucessão lógica que cria este problema me parece surgir da seguinte forma: o homem cria a ciência em busca de melhor entendê-la, o homem cria a ciência para aproximar-se da natureza física e material do mundo. Para entender movimentos complexos que acontecem dentro da matéria, em suas partículas essenciais, o homem cria modelos didáticos elaborando referências, referentes e referenciais sintetizados em signos (pense no símbolo do coração que na sua formula mais simples tornou-se dois arcos se encontrando no vértice e na ponta). Um modelo de representação da realidade que a explica e se prova real, até esta teoria ser desmentida. Este é o processo científico, porém ele levanta a questão: se qualquer teoria pode ser comprovada como falsa, como sabemos qual é a definitivamente real? O modelo criado não dá conta de realizar isto.

No campo da ciência, pesquisa e extensão, então, seus estudiosos estão avisados do esforço vão, porém útil à vida cotidiana que estão exercendo. Entretanto, no mundo contemporâneo, o sistema econômico se desenvolveu de maneira a manter maior parte da população domesticada em seu habitat: entretida em suas televisões ou seus fetiches. Enquanto isso, tanto as partes mais ociosas quanto as mais preparadas são cooptadas a favorecer os interesses mesquinhos de quem lidera esta sociedade. H. G. Wells projeta, em seu "A Máquina do Tempo", um futuro (muito mais distante que esse) em que as classes sociais acabaram por se diferenciar tanto que espécies diferentes, herdeiras da humanidade, emergiram.

Assim a população segue desavisada e sem instrução. Mesmo formas de resistência embasadas em humor tendem a ser trágicas. O entretenimento barato limita-se às paredes da casa, à cidade só tem acesso quem tem dinheiro. A rede liga as pessoas em irmandades de ajuda e interlocução, porém também colabora com a formação de grupos de ódio e na reunião de pessoas preconceituosas. Os ânimos são inflados conforme a imprensa se importa com a política e os meios de comunicação de grande alcance são poucos e estão sobrecarregados de pautas, ainda precisando manter cadernos e tempo inútil para a vaidade diária, concorrendo assim com outros programas de entretenimento.

Mesmo o cidadão medianamente instruído é mantido em stress absoluto pela avalanche de notícias angustiantes jogadas junto de pandas, esportes e artes do jornal da hora par. Não há espaço para a rebelião, assim como não há espaço para a reunião, o encontro. Especialmente depois que as redes sociais conectaram todo o mundo. Meus amigos em Paris e no México parecem ter vida tão mais interessantes que a minha e de meus amigos.
Agora, isso vai mudar..."

Parece um mundo meio sombrio, não? Fiquei encucado com esse cenário, em tempo percebi que estava encucado porque ele é uma leitura possível sobre o mundo ao meu redor. Não era um cenário, era uma descrição. Construir cenários, históricos e mapas, não são simplesmente ferramentas narrativas, são reflexões complexas sobre o presente e o que entendemos como possível e impossível.
Explorar esses reinos forjados pela fantasia, pela necessidade de viver o irreal, é conciliar-se com o inexpresso sentimento que não cabe em formal alguma: palavra, sorriso ou grito.

Em nossa última reunião o Thiago estava me falando que ensinar com RPG, um método lúdico e vivencial, implicava em entender que aquele conteúdo também era recebido e decodificado de maneiras diferentes, maneiras essas que nem o professor, ou o narrador, muitas vezes, imaginam. Ensinar com um jogo não torna tudo um jogo ou uma brincadeira, pelo contrário: explicitas tramas e intrigas de ordem maior até do que a matemática, rainha de nosso modelo científico.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

I&A em revista de educação

Mais uma aventura de sucesso. Mais uma vez no colégio I. L. Peretz.


Saímos em uma revista online com renomados pesquisadores! O artigo ainda cita o projeto de produção de livros-jogo em Inglês em parceria com a área de Literatura, em que estavam trabalhando com ficção científica.

A atividade citada é a mesma que já postei aqui no blog, em que um aluno criou incríveis três páginas com a história de seu personagem.


Quem nos acompanha percebeu uma bela mudança no layout do blog nesse fim de ano! Nosso maravilhoso logo novo, criado pelo grande Henrique Portes! (contato


Essas são as novidades, por enquanto! O ano foi de muita criação e estamos com um bom número de aventuras prontas para serem utilizadas.

Na verdade esse post foi só para completarmos 100 posts no blog! Vida longa ao grupo! \o/

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

É (Quase) Tudo Improviso

A frase "os homens fazem a história, mas não como a querem" é bastante verdadeira em vários níveis, mas ela é especialmente verdadeira nos universos de RPG. Por mais controladores que alguns mestres possam querer ser, raros são os mestres capazes de fazer com que suas histórias se desenvolvam das maneiras como eles a haviam planejado. Por mais capazes e persuasivos que alguns jogadores sejam, raros são aqueles que obtém tudo o que querem e esperam em um jogo de RPG. Em um teatro sem script, onde a imaginação de cada artista interfere na peça narrada de maneiras muito peculiares, o improviso não é uma contingência, mas o caminho através do qual os jogos de interpretação de papeis se fazem.

"Eu era uma menina muito... muito... muito Ranger/Druida level 7, sabe?"
Há poucas semanas, eu, Thiago e um mestre especialmente convidado, Marcus Borgonove, narramos uma aventura sobre a Segunda Guerra Mundial para um grupo de pré-adolescentes. O Paulo nos ajudou a preparar a aventura e a ideia que tivemos era retomar a dimensão humana da guerra junto aos meninos, com quem temos trabalhado desde o começo do ano. A ideia que tem delineado este trabalho é a de que não há vitória humana possível para quem participa das guerras, apenas para quem a experimenta como fato político. Em um contexto no qual os meninos se vêem entre a glorificação e a banalização da violência, achamos que é importante estabelecer um contraponto cultural.

Não importa o quanto se planeje, contudo, o inesperado sempre se faz presente. Nós tínhamos planejado e desenvolvido um arco dramático em três fases simples: uma introdutória, com o intuito de fazer com que eles sentissem raiva dos inimigos; uma intermediária, em que os enfrentariam e uma conclusiva, em que os faríamos questionar se a guerra valia a pena e para quem. Os meus jogadores, contudo, acabaram tomando decisões, ainda na introdução, que me fizeram alongar aquele início. A partir daí, eu tinha duas escolhas: ignorar estas decisões dos jogadores e seguir em frente ou explorá-las e tratar de suas consequências.

"Esta viagem está muito devagar... Tive uma ideia!"
Eu optei por mudar meu planejamento. Transformei aquela minha fase inicial e eu os fiz considerar, ali mesmo, as tragédias e as perdas envolvidas na guerra. A narrativa tornou-se outra; eles mesmos nem queriam mais lutar, mas sim, salvar e proteger - tratava-se menos de raiva e mais de evitar que aquilo continuasse. Quando reparei nisso, tive que mudar a tônica da narrativa. Era hora de dar a eles algo épico, então, pois a motivação deles se modificou muito - e o comportamento deles também.

Um dos jogadores estava mortalmente ferido, diante de um soldado inimigo e decidiu que iria fazer uma surpresa...

A decisão de fugir dos nossos planos nunca é fácil. Por bastante tempo, optei por narrar de improviso. Deixava os jogadores livres para que buscassem o que quisessem enquanto eu apenas fornecia cenário e outros personagens. Descobri que esta forma de narrar causa menos frustração, uma vez que você não vê seus planos serem dilacerados por um ou mais jogadores rebeldes, mas, por outro lado, também pode levar a jogos sem muito sentido. Acredito, agora, que o melhor a fazer é ter um plano, mas, ao mesmo tempo, estar sempre disposto a abrir mão dele em prol da diversão do grupo e do sentido da narrativa. A flexibilidade pode ser a chave para transformar uma boa tarde de jogo em uma tarde memorável!

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Relatório de operações - A defesa da ponte

Relatório de operação militar ao QG situado em território secreto, doravante denominado com o nome fantasia de Aclimação. Aos olhos do Coronel Aidar, somente.

Relatório 121-A de acordo com a portaria 159-28 para o Coronel Aidar, chefe da inteligência. Logo da chegada à cidade de Mons iniciou-se a preparação de defesa contra o exército inimigo, sob tutela dos coronéis Thiago e Paulo. Esse relato abarca apenas as companhias F e L.


O tenente O'Driscoll teve óbito nas primeiras horas de batalha, o relato que aqui se segue foi transmitido a mim por um dos sobreviventes, um sapador da companhia L, apelidados de Lizzies.

Os Lizzies formavam a companhia de defesa da ponte D'argemont, uma das treze que levavam à cidade. Um sapador, um engenheiro, um mensageiro e alguns praças estavam disponíveis ao tenente O'Driscoll. As estratégias de defesa, como relatadas pelo sapador, bloqueavam a rota de fuga da companhia F, avançada em território inimigo, mas foram eficazes em retardar o avanço alemão.

Como esperávamos, o contato inimigo não tardou muito. O soldado relatou o aparecimento de um elemento mancando em direção à ponte, alvejado pelo praça ******** **** na perna antes de atravessar a ponte.  Temendo ser um membro da companhia F, o tenente O'Driscoll deu ordem expressa para que o atirador resgatasse-o além da linha de defesa, fosse como prisioneiro de guerra inimigo ou desertor.


Esses foram os primeiros minutos da batalha, que fora resolvida depois de algumas horas com a implosão da ponte, e a retirada tática das tropas aliadas, inclusive desse que vos fala.

Os Lizzies que sobreviveram foram poucos, estávamos em menor número de homens e armas. O sapador **** ****** está sendo medicado e não corre riscos. O praça ******* ********* não possui ferimentos além do horror da guerra, e está a caminho do Bethlem Royal Hospital, para iniciar tratamento com o doutor Bleuler. O praça alega ter sido salvo por anjos, certamente resultado dos dias como prisioneiro e da batalha em si.

As tropas aliadas concentram-se, neste momento, em Avesnes
Não há maiores informações sobre a companhia F, ainda. Provavelmente cercada pelo inimigo. 




Coronel Thiago A.
2º comandante do 4º batalhão

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Para entender a problematização que fizemos ao preparar essa aventura, confira esse post.

sábado, 27 de setembro de 2014

Referências

Senhores, vamos aos fatos. Estamos trabalhando com nosso grupo de meninos do 7º ano as guerras do século XX.
Depois da desastrosa (mas divertida) campanha em Mons seguimos avançando no tempo. A próxima parada será o evento traumático que mais reverberou ao longo do século XX. Para prepararmos nossa tropas (nossos viajantes, nosso amigos, nossos jogadores... me empolguei) pensamos em uma lista de títulos em vídeo que são a um só tempo preparação de cenário e estudo sobre o tema. Na comparação das referências revelam-se contradições criadas a partir de um presente com uma agenda politico-ideológica, fiquem atentos.

Aos finalmentes:

1. O Labirinto do Fauno;


2. O resgate do Soldado Ryan;


3. A lista de Schindler;


4. Bastardos inglórios;


5. O menino do pijama listrado;

6. A vida é bela;


7. Tudo quieto no front ocidental;

8. Indiana Jones;

9. A língua das mariposas;

10. Chá com Mussolini;

11. O aprendiz;

12. Pearl harbor;

13. A queda;

14. Capitão América: o primeiro vingador;

15. A onda;


16. A menina que roubava livros.

Boa noite e boa sorte.

PS.: Se tiverem uma sugestão para aumentar a lista, postem nos comentários!!!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Dilemas de guerra

Seguindo o regulamento 426-7 das tropas de defesa imaginativas sediadas em território brasileiro, os nomes de todos os colaboradores da operação Esforço de guerraI serão tratados neste documento por seus codinomes. Apenas os nomes dos oficiais envolvidos no desenvolvimento e aplicação da operação serão explicitamente nomeados neste relatório de preparação.

Relatório 114-A de acordo com a portaria 257-28 para o líder supremos das forças armadas sob tutela civil. Documento público acessado na biblioteca de registro militar a partir de 17.09.2014.



Membro da Cia Curioso como batedor em campo inimigoAs 1500 horas, fuso horário de Brasília,  do dia 03 de setembro do ano de 2014, a central de comunicações passou uma ligação para o Capitão Paulo G. sobre uma companhia de aproximadamente 10 estudantes do sétimo ano procurando informações sobre o conflito conhecido como Guerra Européia - ocorrido entre 1914 e 1918 - cujo nome se manteve assim no período compreendido entre 1914 e 1944, passando após esta última data a ser conhecida como I Guerra Mundial. O destacamento Curioso (companhia C, do 44o batalhão de infantaria e pesquisa) havia se embrenhado em território desconhecido e procurava maiores informações além das que a agência de inteligência conhecida como ************ ******, lhes havia providenciado.

Assim os generais aliados Mamãe Urso e Papai Bânto entraram em contato com a central de inteligência Interpretar e Aprender que rapidamente destacou três de seus oficiais para a missão de imersão e apoio. O Coronel de infantaria Paulo G.; o capitão de mar e guerra o Daniel A.; e o coronel das tropas de avanço terrestre da Aeronáutica Thiago O.

foto de registro da operação de resgate CMG D.A.Com o esforço de guerra constante o Capitão de mar e guerra Daniel A. foi dado como desaparecido em batalha (M.I.A.) entre os dias 05 e 10 de setembro deste ano, vindo a ser resgatado pela companhia Bravo sob o comando do Tenente coronel Pedro Damin em 11 de setembro em uma campanha heróica de tentativa de retomada da cidade de ******** **** dos Manun no continente perdido da Ashulia.


Assim os coronéis Paulo G. e Thiago O. preparam a pesquisa e parte da campanha sem a inclusão da informação que a inteligência naval conseguiu produzir neste período. Dos preparativos foram levantadas questões importantes abaixo listadas sem as conclusões alcançadas para garantir a máxima efetividade da operação de invasão que está às vésperas de ocorrer.

  • Como trabalhar o primeiro grande trauma humano do século XX com um público tão jovem?
  • Como representar fielmente, com crueza e respeito, [sem a estilização da violência que estamos acostumados a ver em mini-séries de televisão, filmes e jogos eletrônicos] a inconstância da guerra moderna.





















A Guerra moderna é brutal e rápida e o advento escalonado de máquinas de matar resultando na compreensão [depois desses dois eventos avassaladores para o imaginário coletivo ocidental] de que o soldado também é apenas uma máquina de guerra desprovida de alma ou vontade.

  • Como operacionalizar a expectativa da espera pelo conflito e a rapidez do embate?

Nossos coronéis agora se encaminham para o campo de batalha procurando resgatar a companhia perdida. A operação está em andamento e não podemos revelar suas posições pois isto pode ser perigoso tanto para os destacamentos de regate quanto para a companhia Curioso, que está "perdida" em território inimigo.
Porém, senhores se vocês também quiserem se aventurar em nosso esforço de resgate talvez se aproximar destas referências os trarão um pouco mais para perto de nós:























Livro: A era dos extremos escrita pelo mestre E. Hobsbown.
















Coronel ****** **********.